Monitoração Cardíaca Prolongada

Palpitação, batimento acelerado, sensação de desmaio, quem nunca ouviu falar sobre um destes problemas?

Muitas são as questões médicas envolvidas com sintomas tão comuns. Definir riscos, prever complicações, e montar estratégias de investigação e tratamento, fazem parte das atribuições do médico frente aos pacientes com estes tipos de queixa. As arritmias cardíacas abrangem um grande número de alterações no ritmo ou na frequência do coração, e, sem dúvida, figuram entre os  diagnósticos a serem afastados diante do cenário acima.

Como em toda queixa clínica, a abordagem tradicional consiste em  coletar uma história detalhada,  examinar fisicamente o paciente e, caso necessário, lançar mão de exames extra, os intitulados, exames  complementares. Um marco na investigação e manejo das arritmias, e das queixas a elas  relacionadas, foi o advento do Holter de 24h, exame de monitorização cardíaca, instalado por um dia inteiro, que nos permite a documentação de alterações nas batidas do coração em qualquer ambiente ou situação, e não apenas no consultório médico ou  ambiente hospitalar. Os anos se  passaram e muitos foram os avanços na área de monitorização cardíaca prolongada, sobretudo no campo não invasivo.

Hoje no Brasil, dispomos de monitores que permitem a gravação eletrocardiográfica prolongada de forma contínua, não apenas por 24h, mas pelo tempo que o médico julgar necessário, o que aumenta a chance de documentação de eventos assintomáticos ou pouco frequentes. Além disso, também já temos acesso a dispositivos que permitem monitorização intermitente, capturando apenas eventos sintomáticos (assim que o paciente sente algo, aciona um  botão, e os batimentos cardíacos naquele momento passam a ser gravados).

Mais recentemente, passamos a dispor de sistemas que possibilitam o acompanhamento do ritmo cardíaco em tempo real via  internet, tornando possível tomadas de decisão à distância, também “online”, em tempo real. Além de todos os benefícios mencionados na elucidação das queixas cardiovasculares e no reconhecimento de arritmias assintomáticas, a monitorização cardíaca prolongada também ganha força em campos que extrapolam a área da cardiologia. Um bom exemplo disso é a maior capacidade de diagnosticarmos eventos neurológicos com os métodos disponíveis. Diversos trabalhos científicos mostram que um número significativo de acidentes vasculares encefálicos sem explicação, os chamados AV Escriptogênicos, podem ocorrer em função de arritmias não detectadas em uma investigação inicial convencional. Desta forma, podemos ajudar a elucidar o mecanismo etiológico envolvido, e com isso prevenir esses eventos neurológicos (os temidos “derrames”) em uma população de alto risco.

Muito mais ainda está por vir, o cenário é promissor, cabe a nós que trabalhamos com esta área, tornar disponível estes recursos para a enorme gama de pacientes que possam se beneficiar deste tipo de investigação.