Coração acelerado, lento ou irregular?

Chamamos de arritmias cardíacas qualquer alteração da frequência ou do ritmo do coração.

Diversos aspectos cercam essas alterações, indo da total falta de sintomas ao risco de morte súbita. É papel investigativo do médico saber se uma queixa representa ameaça à vida ou uma simples variação da normalidade.

Frente a hipótese de uma arritmia o primeiro passo para o planejamento é buscar a documentação eletrocardiográfica deste distúrbio. Entretanto, devido ao caráter frequentemente intermitente e passageiro dessa condição, muitas vezes isso não é possível. É cenário comum na prática médica a arritmia já ter terminado quando o paciente procura assistência e, nesse momento, alterações no exame ou no eletrocardiograma podem não estar mais presentes.

 

 

Podemos então documentar estas alterações? E com qualquer periodicidade?

A resposta é sim.

Seja com um tradicional Holter de 24h, ideal para aquele paciente que possui sintomas diários ou com os monitores de eventos, úteis nas queixas mais esporádicas, dispomos de recursos que nos permitem o reconhecimento das alterações elétricas cardíacas e sua fidedigna correlação com eventuais sintomas.

É preciso esperar retirar o exame para termos acesso ao diagnóstico?

A resposta é não.

Ferramentas de monitorização on line disponíveis em alguns dos nossos aparelhos, permitem o acompanhamento do paciente em tempo real. Não há retardo no diagnóstico, e em casos selecionados, possibilita avaliar o efeito da terapêutica empregada.

Mas e se os eventos forem assintomáticos, temos como documentá-los?

Sim, temos.

Outra modalidade que oferecemos é a monitorização com Holter prolongado. Externos ou até mesmo implantáveis, permitem uma monitorização ininterrupta e pelo tempo que for necessário, documentando até mesmo eventos não percebidos pelo paciente, e que podem ter relevância na investigação do seu quadro.

Conclusão:

Diversas ferramentas de monitorização hoje fazem parte do arsenal disponível ao médico para a documentação dos distúrbios do ritmo.  Oferecê-los aos médicos assistentes e auxiliá-los na escolha do melhor método é nosso objetivo.

Os compromissos da nossa empresa:

  • Disponibilidade imediata para colocação ambulatorial ou domiciliar
  • Telefone emergencial 24h para os pacientes na modalidade de monitorização on line
  • Excelências nos laudos: Rapidez, contato com médico solicitante e dupla checagem dos laudos por profissionais especializados em arritmias cardíacas

O derrame cerebral e a arritmia

Um “derrame cerebral” pode ser causado por uma arritmia?

Na prática médica não é infrequente nos deparamos com situações de incerteza quanto a causa de uma doença. Muitos dos acidentes vasculares encefálicos (AVEs ), conhecidos popularmente como “derrames”, fazem parte desta realidade de dificuldade diagnóstica.

Cerca de 30% dos pacientes vitimados por um AVE seguem sem uma definição etiológica mesmo após a realização de uma bateria de exames neurológicos e cardiovasculares (Tomografia e ressonância de crânio, doppler das artérias carótidas e vertebrais, eco cardiograma transtorácico e transesofágico, Holter de 24h entre outros).

Imaginemos uma situação prática: um paciente de 65 anos, com pressão alta e diabetes, apresenta um derrame que lhe provoca uma perda dos movimentos de um lado do corpo. Dias de investigação, diversos exames realizados, e, no final, a causa efetiva do enorme prejuízo funcional não foi revelada. Q que fazer? Como prosseguir a investigação?

Muitos estudos têm nos mostrado que exatamente em casos como este, uma arritmia cardíaca transitória (que aparece e desaparece) a assintomática, chamada fibrilação atrial, pode ser a causadora do evento. Nela, a lentificação da passagem do sangue pelo coração permite o surgimento de coágulos de sangue, que podem migrar e obstruir vasos sanguíneos cerebrais, provocando o “derrame”.

Mas como documenta-la? Como pesquisar uma arritmia assintomática e efêmera?

A resposta é simples: Através de uma monitorização contínua e prolongada

Atualmente estão disponíveis os chamados “Holters externos prolongados”, monitores cardíacos que funcionam como num exame de 24h convencional, porém com maior capacidade de bateria e armazenamento de dados, possibilitando um aumento do tempo de gravação e otimizando, portanto, as chances de detecção das arritmias.

É interessante ressaltar que, nessa modalidade de investigação, os batimentos cardíacos são gravados sem interrupção e não dependem de nenhum acionamento externo, o que a difere dos chamados “monitores de eventos”. Muitas diretrizes internacionais sugerem até 30 dias de monitorização com esta modalidade como estratégia investigativa inicial para a elucidação diagnóstica dos AVEs sem causa definida.

Além dos monitores “ externos “, que se comunicam com o coração através de eletrodos colados a pele (exatamente como um Holter de 24h), podemos ainda lançar mão dos dispositivos implantáveis. Esses aparelhos, geralmente do tamanho de um “pendrive”, são colocados abaixo da pele na região próxima ao coração, através de uma pequena incisão sob anestesia local, e permitem até 3 anos gravação contínua, potencializando ainda mais as chances de detecção de arritmias. Apesar da necessidade de uma pequena cirurgia, o risco do procedimento é baixo e, além do maior tempo de gravação em relação aos monitores externos, este método livra o paciente do uso prolongado de eletrodos e fios.

Nesse sentido, é importante reafirmar a grande ênfase com que tem sido recomendada, por toda a literatura médica, a pesquisa da fibrilação atrial após um caso de AVC criptogênico (sem causa definida). Na medida em que na maioria dos pacientes essa arritmia aparece e desaparece sem ser percebida, é imperativo que os métodos investigativos sejam contínuos e prolongados, quer seja com Holters externos ou monitores implantáveis. Qual modalidade utilizar é uma decisão que deve ser individualizada e discutida entre médicos e pacientes, levando-se em consideração as vantagens e desvantagens de cada uma das ferramentas de investigação.

Palpitações Psicossomáticas: Como diferenciar das arritmias?

Na prática médica, é cada vez mais comum lidar com queixas do tipo ”coração acelerado” ou “ritmo cardíaco descompassado”, as chamadas palpitações. Definida como a percepção da batida do coração, esses sintomas são ao mesmo tempo frequentes e traiçoeiros para o médico que o investiga. Tendo amplo espectro de diagnósticos associados a queixa pode significar desde uma variação da normalidade até o risco iminente de morte súbita.

Dentre os problemas de saúde que podem gerar palpitações, destacam-se as arritmias cardíacas e as doenças psiquiátricas, como os distúrbios da ansiedade e a síndrome do pânico. É interessante ressaltar que frequentemente vemos pacientes com palpitações claramente “psíquicas” medicados com remédios com ação cardíaca enquanto que outros com palpitações arrítmicas com o tratamento voltado para distúrbios neurovegetativos.

Mas como diferenciar? Como saber se as palpitações provêm da “cabeça” ou do coração?
Em primeiro lugar, é necessário entender que diferente das arritmias, os problemas psíquicos não geram alterações eletrocardiográficas, na medida em que são oriundos do fenômeno da somatização e não de alterações orgânicas. Somatizar, segundo sua definição contemporânea, é uma tendência para experimentar sintomas que não podem ser explicados pelos achados patológicos e, portanto, não deve ser atribuído a doenças físicas estruturais. Portanto, os exames que procuram documentar possíveis alterações no ritmo, falham em fazê-lo na presença de palpitações psíquicas.

Na prática médica, para excluir as palpitações arrítmicas e aproximá-las do diagnóstico de somatização, devemos lançar mão de informações da história clínica e de exames complementares. Palpitações associadas a desmaios, tonteiras e sensação de “batimento” no pescoço sugerem fortemente o diagnóstico de arritmias cardíacas, assim como o início e término súbitos, bem documentados.

Em relação aos exames, modalidade de monitorização que permitam a correlação do sintoma com o traçado eletrocardiográfico são os mais indicados para a investigação. Recentemente, no arsenal investigativo, surgiram monitores que possibilitam o acompanhamento prolongado do paciente, em tempo real ( on line ). Essa ferramenta permite que o paciente acione um dispositivo no exato momento que a palpitação aparece. O acionamento dispara a gravação de um traçado de eletrocardiograma que pode ser visto em tempo real via internet por um médico especialista. Dessa forma, identificamos se o sintoma tem ou não repercussão eletrocardiográfica e, portanto, deve representar um fenômeno somático ou arritmia.

Percebemos portanto que a investigação adequada, e os modernos métodos de monitorização prolongada, ajudam os pacientes e médicos no correto diagnóstico das palpitações. Diferentes queixas, de diferentes especialidades, podem se beneficiar dos métodos hoje disponíveis.

Monitoração Cardíaca Prolongada

Palpitação, batimento acelerado, sensação de desmaio, quem nunca ouviu falar sobre um destes problemas?

Muitas são as questões médicas envolvidas com sintomas tão comuns. Definir riscos, prever complicações, e montar estratégias de investigação e tratamento, fazem parte das atribuições do médico frente aos pacientes com estes tipos de queixa. As arritmias cardíacas abrangem um grande número de alterações no ritmo ou na frequência do coração, e, sem dúvida, figuram entre os  diagnósticos a serem afastados diante do cenário acima.

Como em toda queixa clínica, a abordagem tradicional consiste em  coletar uma história detalhada,  examinar fisicamente o paciente e, caso necessário, lançar mão de exames extra, os intitulados, exames  complementares. Um marco na investigação e manejo das arritmias, e das queixas a elas  relacionadas, foi o advento do Holter de 24h, exame de monitorização cardíaca, instalado por um dia inteiro, que nos permite a documentação de alterações nas batidas do coração em qualquer ambiente ou situação, e não apenas no consultório médico ou  ambiente hospitalar. Os anos se  passaram e muitos foram os avanços na área de monitorização cardíaca prolongada, sobretudo no campo não invasivo.

Hoje no Brasil, dispomos de monitores que permitem a gravação eletrocardiográfica prolongada de forma contínua, não apenas por 24h, mas pelo tempo que o médico julgar necessário, o que aumenta a chance de documentação de eventos assintomáticos ou pouco frequentes. Além disso, também já temos acesso a dispositivos que permitem monitorização intermitente, capturando apenas eventos sintomáticos (assim que o paciente sente algo, aciona um  botão, e os batimentos cardíacos naquele momento passam a ser gravados).

Mais recentemente, passamos a dispor de sistemas que possibilitam o acompanhamento do ritmo cardíaco em tempo real via  internet, tornando possível tomadas de decisão à distância, também “online”, em tempo real. Além de todos os benefícios mencionados na elucidação das queixas cardiovasculares e no reconhecimento de arritmias assintomáticas, a monitorização cardíaca prolongada também ganha força em campos que extrapolam a área da cardiologia. Um bom exemplo disso é a maior capacidade de diagnosticarmos eventos neurológicos com os métodos disponíveis. Diversos trabalhos científicos mostram que um número significativo de acidentes vasculares encefálicos sem explicação, os chamados AV Escriptogênicos, podem ocorrer em função de arritmias não detectadas em uma investigação inicial convencional. Desta forma, podemos ajudar a elucidar o mecanismo etiológico envolvido, e com isso prevenir esses eventos neurológicos (os temidos “derrames”) em uma população de alto risco.

Muito mais ainda está por vir, o cenário é promissor, cabe a nós que trabalhamos com esta área, tornar disponível estes recursos para a enorme gama de pacientes que possam se beneficiar deste tipo de investigação.